O Brasil está investindo em pesquisa para dominar o ciclo produtivo das terras-raras e dos superímãs, componentes essenciais para a produção de motores de carros elétricos, turbinas eólicas e outros equipamentos de alta tecnologia. Uma estrutura fabril e laboratorial localizada em Lagoa Santa, Minas Gerais, está sendo desenvolvida para atingir esse objetivo. O laboratório-fábrica, batizado de CIT Senai ITR, é uma parceria entre a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, e tem como objetivo validar protótipos e processos de forma semi-industrial.
As terras-raras são um grupo de 17 elementos químicos com propriedades especiais, como magnetismo intenso, luminescência e condutividade, que os tornam fundamentais para a transição energética. No entanto, a produção desses elementos é atualmente dominada pela China, que detém mais de 90% da oferta mundial. O Brasil, por sua vez, tem grandes reservas minerais de terras-raras, mas a produção de óxidos ou metais puros desses elementos químicos é incipiente. A equipe do laboratório-fábrica de Lagoa Santa está trabalhando para superar esse desafio, com o objetivo de dominar o ciclo tecnológico de produção de ímãs permanentes à base de neodímio, ferro e boro.
O projeto MagBras, que reúne 38 empresas, startups, centros de inovação, universidades, instituições de pesquisa e fundações de apoio, tem como objetivo consolidar a cadeia produtiva brasileira de ímãs permanentes, desde a mineração das terras-raras até a fabricação do produto final. O laboratório-fábrica de Lagoa Santa é um elo importante nesse projeto, pois permitirá validar protótipos e processos de forma semi-industrial. A capacidade produtiva máxima da unidade é de 100 toneladas por ano de ímãs permanentes, mas o objetivo não é fabricar comercialmente os ímãs, e sim dominar a cadeia produtiva desses componentes e fazer a transferência de tecnologia para empresas interessadas em produzir os ímãs no país.
A equipe do laboratório-fábrica conta com o apoio de pesquisas realizadas em diferentes instituições, como o Instituto de Química da Universidade de São Paulo, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas e o Centro de Tecnologia Mineral. Essas instituições têm desenvolvido tecnologias avançadas para a extração e refino das terras-raras, incluindo a separação química, que é um dos principais gargalos na cadeia produtiva. O projeto MagBras também prevê a participação de 12 mineradoras, que se comprometem a produzir o concentrado de terras-raras, etapa anterior à separação.
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Fonte: REVISTAPESQUISA.FAPESP.BR – [Leia a matéria completa](https://revistapesquisa.fapesp.br/brasil-investe-em-pesquisa-para-dominar-o-ciclo-produtivo-das-terras-raras-e-dos-superimas/)
Fonte: Revistapesquisa.fapesp.br



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