Como saber quanto sua empresa vai pagar de imposto em 2026?

por | set 6, 2025 | economia

Como saber quanto sua empresa vai pagar de imposto em 2026?

Empresário observa balança digital entre CBS e IBS com antigos tributos se desfazendo ao fundo.

Por ERICK MATHEUS NERY |

Publicado em 2/9/2025 – 8h30 Atualizado em 2/9/2025 – 16h00

A alíquota final da Reforma Tributária ainda não foi definida, mas isso não significa que os empresários devem esperar de braços cruzados. A partir de 2026, empresas de todos os portes passarão a pagar novos tributos sobre o consumo: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Juntos, eles substituirão PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI, o que muda completamente a lógica de apuração e precificação de produtos e serviços no Brasil.

“Um cálculo exato de quanto a empresa vai pagar em 2026 ainda não é possível. A alíquota padrão definitiva ainda não foi fixada, ela será definida por lei complementar e dependerá da arrecadação dos tributos que estão sendo substituídos”, explica Fernando Brolo, sócio-fundador e CSMO da Logithink. Ele complementa: “Mas isso não significa que você está de mãos atadas. É possível fazer simulações e projeções”.

A estimativa do governo é que a carga tributária fique entre 26,5% e 28%, com um teto de 26,5% até 2030. “Assim, é totalmente possível realizar simulações, considerando parâmetros divulgados pelo governo e o histórico da própria empresa”, reforça Ulisses Brondi, CEO da ASIS.

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Apesar da existência de uma alíquota padrão, setores específicos terão regimes diferenciados, como saúde, educação, combustíveis, serviços financeiros, planos de saúde e cooperativas. Também haverá o Imposto Seletivo, voltado a produtos que impactam a saúde ou o meio ambiente, como bebidas alcoólicas e cigarros.

No caso das empresas de serviços, a preocupação é maior. “Tradicionalmente, empresas de serviços têm menos insumos físicos para gerar créditos. Isso pode fazer com que a alíquota padrão pareça mais ‘pesada’ para elas”, alerta Brolo. “Empresas desses segmentos precisam revisar margens, precificação e contratos”, destaca Brondi.

O que influencia o valor final do imposto

Na prática, a alíquota efetiva que cada empresa pagará dependerá de diversos fatores, como

  • Margem de lucro: negócios com margens apertadas são mais sensíveis.
  • Modelo de operação: quanto mais insumos tributados, maior o potencial de créditos.
  • Regime tributário atual: empresas que dependem de incentivos regionais precisarão rever suas estratégias.
  • Local na cadeia produtiva: quanto mais próxima da produção, maior a chance de gerar créditos.

“Empresas que vendem para outras empresas (B2B) podem ter um impacto mais neutro, pois seus clientes poderão aproveitar os créditos. Já empresas que vendem diretamente para o consumidor final (B2C) podem sentir um impacto maior”, explica Brolo.

Como se preparar ainda em 2025

Os especialistas ouvidos pelo Economia Real reforçam que 2025 é o ano da preparação, mesmo que nem tudo esteja definido. O primeiro passo é mapear o cenário atual da empresa: produtos, serviços, tributos pagos, créditos aproveitados e estrutura de custos.

“É um trabalho de ‘e se’! E se a alíquota for X, o que acontece com meu fluxo de caixa e rentabilidade? Se a empresa usa sistemas de gestão empresarial (ERP), comece a migração o quanto antes para adequar seu sistema e iniciar as simulações”, orienta Brolo.

Brondi sugere ações práticas como

  • Atualizar sistemas de gestão (ERP);
  • Realizar simulações financeiras;
  • Revisar cadastros fiscais e contratos;
  • Criar comitês internos para mapear impactos;
  • Monitorar constantemente alterações legislativas.

Mais do que uma mudança contábil, a Reforma Tributária exige uma revisão ampla da estratégia empresarial. “A preparação vai além do software: envolve capacitar toda a empresa, do atendimento à diretoria, garantindo que cada interação com o cliente traga clareza e segurança sobre a reforma”, finaliza Brondi.

Este conteúdo integra a série especial do Economia Real sobre a Reforma Tributária. Publicamos novos textos às terças e quintas, com análises práticas para quem quer se preparar desde já para as mudanças no sistema tributário brasileiro.


Fonte: Economiareal.uol.com.br

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